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sábado, 20 de agosto de 2016
a passo de caracol a caminho do stress
Hoje, sinto necessidade de escrever… de nada adiantou os murros no saco de boxe, a caminhada, nem a medicação parece querer fazer efeito.
Desde que regressei do meu normal período de férias, não tenho, digamos, descansado. O trabalho acumulou e a dedicação empenhada a que me dedico em todos os inquéritos que faço, faz-me viver cada um de forma intensa, absorvendo muita da minha energia, porque humanamente é impossível fazer tudo o que tenho de fazer sem “estourar” e pelos vistos pouco importa reclamar ou esperar dias melhores.
Apesar de tudo, dedico-me, empenho-me… tento levar as coisas na brincadeira.
A juntar a isso tudo, olho para cima, quando afirmo para cima, é para cima mesmo, o que vejo: calma, descontracção, dizem-me para não me preocupar, para não me chatear, para deixar andar… para estragar tudo, apareceu alguém que me comparou a “um cão de fila”, no sentido irónico, não levei a mal, aliás tinha preferido que me comparasse a “pastor alemão”, mas tá bem, simplesmente porque afirmei “verdades”, não as camuflei, porque chamo o nome aos bois.
Recordo-me, em 2003 quando fui “castigado” e colocado na Secção de Inquéritos, da Divisão de Lamego, de encontrar uma sala minúscula, com processos amontoados, em pilhas, em cima de uma mesa e numa estante de um armário. Bom aluno que sempre fui perante bons professores, escutei e escrevi tudo aquilo que o agente Saraiva dizia… anotava tudo, aliás, sempre anotei tudo, quer numa agenda, quem em bloco de apontamentos, desde que em 1992 estagiei em Viseu. O castigo motivou-me e assim, após uns meses, adoptei o meu estilo. Iniciei uma simplificação do trabalho. Aligeirei procedimentos, automatizei documentos de forma a preencher automaticamente através de campos do word os diversos formulários, ganhando tempo… com o ganho de tempo e eficácia… reduzi o tempo das inquirições… o papel foi-se reduzindo… ao fim de uns meses… resumia-se tudo a uns pequenos montes de papel. Perante isto tudo, tive ajuda do falecido comissário Guedes da Silva, que na altura me deu autonomia até nos documentos que deviam ser assinados por ele, para eu assinar por ele, para simplificar, para fazer aquilo que ele elogiou numa reunião “o sr. Santos está a fazer um serviço limpo”. Ao fim de uns anos, estamos em 2016, vejo-me perante um cenário diferente.
Em vez de continuar a simplificar-se procedimentos, para a eficácia, regressam os velhos métodos de burocracia sem sentido, da cadeia hierarquizada, que complica e atrasa… associado a constrangimentos informáticos que não compreendo…
Temos velhos computadores, temos constrangimentos na rede informática, temos computadores a “mastigar” e, nós, sem alternativa, feitos parvos a olhar para um ecran e agora não posso fazer nada. Só reclamar… dar murros na mesa… sentir a cabeça a estourar devido à impotência perante uma máquina a que um dia se chamou “computador”.
Lembro-me de em 2004 para conseguir trabalhar, ter instalado umas memórias RAM no “meu” computador de trabalho, de ter trazido um teclado de casa, um rato e outros equipamentos… a máquina apesar ao tempo de ser velha, era um Ferrári…
Hoje, não se pode fazer isso… porque tudo está ligado por uma rede informática e existe o SEI… e só autorizam equipamento do Estado.
A vida são dois dias, um já passou e tenho de aproveitar o próximo.
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