sexta-feira, 26 de abril de 2024

É DA MINHA VIDA QUE EU FALO (quero lá saber da vida de outros.)

 É DA MINHA VIDA QUE EU FALO (quero lá saber da vida de outros.)

naquele dia, em Coimbra, tudo nú, à pergunta do militar que me entrevistava, eu respondi: "sim quero cumprir o serviço militar obrigatório, mas por aquilo que já aqui assisti, na falta de respeito, desumanidade para com os mais fracos, quero cumprir no exército porque é o tempo mais curto".
o cabo ainda me perguntou "o que sabe fazer", "você não quer ir para as forças especiais"," ou "curso de milicianos", e eu lá respondi, além de trabalhar na agricultura, passear os livros como estudante, e nas horas vagas praticar artes marciais, acho que apenas sou bom a conduzir viaturas, principalmente tratores agrícolas, bem e a "jogar aos cowboys".
e, assim aconteceu.
uns meses depois saíram as incorporações e lá tive que me apresentar em Elvas, no curso de condutores.
dali, como condutor de serviços militar, a pedido escolhi Faro e uns meses mais tarde, fiz permuta para Lisboa, Ralis.
em Lisboa, enquanto condutor conduzi soldados, cabos, sargentos, oficiais e, em exercícios militares, alguns generais, inclusive (...), alguns deles com participação directa, indireta no movimento que levou ao 25 de abril de 1974.
talvez por ser um "rural interessante", do Norte, e se calhar por não ser uma ovelha amestrada, mas um lobo solitário, depois da primeira saída, a seguir vieram muitos outros pedidos.
quando chegavam pedidos de condutores para fazer serviços a outros serviços, ao EMGFA por exemplo, lá era chamado ao sargento ajudante e lá ouvia a explicação: "vais tu porque eles pediram o homem das terras do demo, o Santos".
e, pronto, inocente ou ingénuo, lá ia vaidoso, e aproveitava a oportunidade de não estar no Ralis a encharcar cervejas e a fumar igual a um sapo (nunca sou fumar).
foram dias entre a elite que nunca esquecerei.
e das muitas predisposições de ajuda no futuro "santos se algum dia precisar de alguma coisa não hesite", "pense continuar na vida militar".
se eu fosse um oportunista, muitas amizades poderiam ter servido para perdurar, para efeitos das tais cunhas... porque só eu e eles sabemos não o que dissemos mas o que fizemos, como iguais, entre iguais (tanto fado, jantares e almoços ali para os lados da Estremadura.
eu sempre quis acreditar que, granjeava respeito, ou consideração, uma daquelas virtudes que os grandes lideres militares admiram: não é só de bajuladores que eles gostam, eles admiram, a força e atitude valoroso.
sim, eu dava-me bem naquele meio, porque eu pensava, eu agia com método, bom senso, por vezes frito e decisivo.
a sérios, eles gostavam...
é, porque quem me conhece desde os bancos de primária sabe, eu sempre tive o meu estilo único, o mesmo estilo actual igual ao do puto com 5, 15, 25, 35, 45, 55, o mesmo e mostrar medo, hui, hui.
além de, não estando convencido, ser sempre do contra!
eu sempre olhei para outros seres humanos como iguais.
não há cá superioridades sociais, nem poderes absolutos definido por castas.
são as nossas características físicas, as acções de caracter e a nosssa individualidade ou responsabilidade é que são diferenciadas uns dos outros.
há quem goste de imitar, de seguir outros, mas é um problema deles, não meu.
e, como alguém bem disse : "todos diferentes, todos iguais"
ok, e este discurso todo, aqui, para quê?
bem, é assim.
eu até gostaria de ter um sistema de organização politico estilo ou DEMOCRACIA/MONARQUICA, mas defendo aquilo que existe, a DEMOCRACIA PURA.
mas o que existe não é isso: EM PORTUGAL NÃO HÁ LIBERDADE.
enquanto eu viver, EU gostaria de terminar os meus dias com a mesma dignidade com que vivo e que os outros me deem a liberdade de eu respeitar os meus antepassados.
e, não se iludam, se teu tiver que fazer o que tiver que ser feito, assim será com todas as consequências que advenham.
sempre assim foi, sempre assim será.
e, meus amigos, eu, nós, no presente, não temos culpa dos erros cometidos por outros, lá no passado.
nós só podemos responder pelas acções no presente.
«Dizei-lhe que, também dos Portugueses, Alguns traidores houve, algumas vezes.» - Lusíadas,- Luis Vaz de Camões.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

é da minha vida que eu falo - janeiro - 2024


 O PUBLICO

«José quer retirar-se,
“mas estão a atrasar as reformas”.
Já tem mais de 55 anos e quer ir para casa, mas não o deixam. José Santos, natural de Moimenta da Beira, agente principal da PSP, cumpre serviço na investigação criminal em Lamego. “Já cumpri 36 anos de serviço e tenho mais de 55 anos e queria retirar-me, mas como não há efectivos suficiente estão a atrasar as reformas.”
Candidatou-se à PSP depois de ver um anúncio na televisão e de o pai, que era militar da GNR, lhe ter perguntado se já não estava na altura de ir trabalhar. “Tinha 23 anos, estava em casa sem fazer nada, já tinha cumprido o serviço militar e acho que as relações públicas da PSP devem ter funcionado muito bem comigo, porque eu, até ali, nunca tinha pensado ser polícia na vida”, conta, acrescentando que, na realidade, já tinha desistido do acesso ao Curso de Sargentos do Exército. Hoje agradece ao pai o ultimato, porque o fez “largar as saias da mãe” e obrigou a “despertar para a vida”.
Depois de um estágio de dois anos em Viseu acabou por ir parar a Lisboa. Foi em 1993, quando ainda existia a Divisão de Segurança do Comando da PSP que se destinava a garantir quer a segurança de instalações sensíveis da área de Lisboa quer a protecção de pessoas, e que depois passou a chamar-se Corpo de Segurança Pessoal. “Dormi duas noites no carro, porque não havia camaratas para todos e houve colegas que dormiram nos bancos do Jardim da Estrela”, recorda, explicando que o problema da falta de habitação para os polícias não é de agora.
“Ao segundo dia parecia um zombie e um colega falou-me de uma senhora que tinha um quarto disponível. Só lá cabia a cama.”
Nesse primeiro Natal, foi colocado a fazer segurança à porta da Embaixada de Espanha às 21h na noite da consoada e uma hora depois era surpreendido por um cachorro.
“Não gostei nada de passar o Natal sozinho com um cão, assim, na rua”, diz.
No primeiro mês em Lisboa já tinha gastado o dinheiro que tinha poupado e disse aos pais que com o que recebia não conseguia suportar as despesas, pelo que ponderava deixar a PSP. Os pais mostraram-lhe um apartamento em Massamá. “Pediram dinheiro a familiares e ajudaram-me a comprá-lo.”
Depois fez um curso de Electrónica Analógica e decidiu fazer serviços remunerados. “Era a única forma de ganhar mais dinheiro. Fiz durante seis meses. Assim que juntei dinheiro, nunca mais fiz, excepto aqueles que temos mesmo de fazer, como é ocaso dos jogos de futebol.”
Um dia deu consigo a ver vídeos da sua filha. “Há coisas que não tinha mesmo presenciado sobre a vida dela. Até aos 15 ou 16 anos da minha filha não presenciei. Dei-me conta disso nos vídeos: que me dediquei à profissão e perdi muitos momentos da minha pequerrucha. E para quê? Por um Governo, um Estado que não me reconhece valor. E eu dei tanto.
As vezes que me vesti de Pai Natal e lhe dei um beijo e me vim embora…”
José Santos não esconde a mágoa que sente quando olha para a folha do salário. “Não compreendo como é que estes jovens, com as oportunidades e a informação que têm, se vêm meter nisto. No meu tempo era uma necessidade. Como não havia mais nada, a PSP ou a GNR eram uma boa oportunidade. Eu recebo líquidos 1500 euros, estou na posição 18 e faltam duas posições para atingir o topo.”»