sábado, 14 de dezembro de 2013

até sempre, a vida continua.


pelo chefe sabença, por todos nós.



Hoje, mais calmo, sem adrenalina, à minha maneira, faço questão de escrever, de exprimir a minha dor, a minha raiva, de explicar por esta via, não porque sinta necessidade, mas para aliviar a pressão, que ontem não demonstrei nem consegui libertar. Nada me passa ao lado: registo tudo. 
«Era mais uma dia. De repente alguém entra no gabinete, a chorar e diz: «O Chefe Sabença deu um tiro na cabeça». Atónico, desesperado, em segundos desloco-me para o local. Vejo, um cenário indescritível que nem quero descrever por palavras.
No exterior, vivia-se momentos de impotência, gritos, choros.
À entrada da porta, em pé olhei: o Chefe Sabença estava deitado e a mexer-se, estava VIVO!
Ali em pé, mil perguntas me assolaram a cabeça: o que posso fazer? Que loucura? O que é isto?!...( não descrevo o cenário, mas está cá e sei, onde dia vou pagar a factura).
De repente alguém, por trás me diz: «Santos verifica se tem orifício de saída.», como um robot, entro no acanhado local, com delicadeza, sempre a conversar, BERRAR, de dor, raiva, mexi na cabeça e verifiquei e transmiti o que tinha a dizer. De repente, entro numa outra dimensão. Estava, apenas eu e o Sabença.
De repente alguém me traz de volta e ouço: «Santos, é preciso estancar a hemorragia», «coloca esta toalha». Coloquei e ali estive com a segurar a toalha, os dois até à chegada dos Bombeiros.
Tenho gravado, permanentemente selado na memória, aquele olhar desesperado,  e senti o que senti... depois de colocado numa maca, despedi-me dele, para sempre.»
Ontem, já à noite, regressei à minha dimensão, à minha vida mundana.
Hoje estou aqui, a escrever, a deixar para a eternidade informática, as memórias finais do Chefe Sabença.

Neste desabafo, quero dizer aos amigos, aos colegas e associados, para todos e para quem ontem não liguei, para conversar, informar... às pessoas com quem não quero, hoje, simplesmente conversar, sobre este assunto, às atitudes que vou adoptar doravante, que só respondo pelas minhas acções: porque sou assim mesmo. Não peço que me compreendam, mas respeitem as minhas decisões as minhas acções/opiniões.
Uma coisa posso garantir-vos a todos que me lêem, senti-o, ontem, mais uma vez, não sei QUEM, nem PORQUÊ, me coloca, mais uma vez..., neste tipo de cenário, seja com pessoas conhecidas ou queridas, seja com anónimos... mas são vontades "superiores" que não domino, não compreendo, mas por alguma razão deve ser aceito o meu designo de agir como que determinado por uma "força superior".
Ao Chefe (esteja onde estiver), a todos Nós, desejo e quero apenas deixar-vos esta última mensagem, sobre ontem:
«O chefe Sabença, garanto-vos, enquanto estive ao seu lado, a dar-lhe aquilo que podia e tinha para lhe poder dar naquele momento, tive, senti, a percepção de que estava e lutou para sobreviver, mas era demasiado tarde para recuperar dos danos que havia feito ao frágil corpo humano de que somos todos feitos.»
Por isso, amigos, colegas de armas, reflectiam, enquanto estão lúcidos, nos vossos momentos impulsivos, porque, enquanto à vida há Esperança e só com a Fé, só a pensar em VIVER a vida, ela nos dá uma solução, mais cedo ou mais tarde.
Enquanto profissionais vamos continuar a enterrar os mortos, mas temos de VIVER a LUTAR e se preciso for, então MORRER.   



José J. Santos - Dirigente Sindical da ASPP/PSP

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

onde param as brigadas à civil



Hoje, alguém nos questionava por onde é que andam os elementos à civil da PSP de Lamego porque há cerca de uns dois anos que não se vêem na rua?!...
Obviamente a pergunta estava carregada de ironia, mas no fundo transparecia da pessoa uma ideia que é generalizada a todas as pessoas que estejam atentas ao fenomenismo da segurança na cidade. Não há à vista policias a trabalhar à civil, mas também não quer dizer que não estejam. Os olhos e ouvidos de alguns policias estão em todo a cidade, e não só, não tenham duvidas disso.
Mas pegando nesta viatura que até há um ano atrás quando saia da divisão, à noite ou dia, era sinónimo de que «eles andam aí», frase comentada e ouvida por pessoas de bem e dos nossos amigos, perdeu os tempos de glória. Porquê, porque quem conhecia o carro verde estava habituado às intervenções dos agentes que o conduziam, intervenção mais musculadas, temida, digamos respeitava, porque aqueles tipos que à civil agiam de forma diferente. Todos sabemos que isso é verdade. Eles sabiam e sabem.
Como o tempo é feito de mudança, esta viatura, hoje, está cheia de pó, estacionada, de férias, à ordem não sabemos bem de quem, mas não está à disposição dos agentes à civil.
Certamente sabemos mais que aquilo que aqui divulgamos, mas, se a cidade perdeu agentes à civil, também é certo que ganhou mais insegurança e tem menos protecção preventiva e reactiva.
Lá pelos lados de Viseu, no passado, entenderam que não, por uma questão de números e estatística e outras cousas, decidiram que não lhes afectava nada «desbaratar» a experiência dos operacionais, pessoas que nos últimos anos prenderam foragidos e cadastrados, procuraram e sacrificaram horas e dias ao serviço do bem comum, que ajudaram a justiça a meter na cadeia uma série de indivíduos, em Lamego, para beneficiar outros indivíduos em Viseu.
De bestiais, os 4 agentes que saíram, passaram a bestas, por causa de um despacho. Assim, reduziu-se o efectivo ao mínimo dos mínimos, contudo, como o actor principal desta notícia é o carro verde, cheio de pó que aguarda o regresso de alguém, quem sabe se um dia destes, o carro verde volta a ser usado naquilo que é veterano: servir as brigadas à civil e a população de Lamego e arredores.

quinta-feira, 18 de abril de 2013


VIOLENCIA ESCOLAR E CRIMES DOS TITULARES DE CARGOS POLITICOS

Nos termos estatutários, entendemos, por uma questão de cidadania, elencar um conjunto de ideias de modo a defender os valores morais, sociais e interesses profissionais dos profissionais de segurança e da justiça (deviam andar de mãos dadas).
Dois exemplos:
Primeiro caso: um aluno, um professor, um funcionário “qualquer membro da comunidade escolar) é vítima, ou autor de um crime, por exemplo furto, ameaça verbal, ou ofensa física, no ambiente escolar, entenda-se dentro da escola. O que fazer? Diz-nos o costume, que a escola resolve. Engano. Não resolve, aliás, quanto muito, a maior parte dos casos, adia ou agrava o comportamento ilícito dos agentes que praticam crime e agrava o estado emocional das vítimas.
Segundo caso: um titular de um cargo político exerce funções num determinado órgão. Presume-se que esse titular, sozinho ou conjuntamente com outros, por acção ou omissão, pratica determinado crime. O que fazer? Diz-nos o costume, que a política resolve. Engano. Não resolve, aliás, quanto muito, a maior parte dos casos, adia ou agrava o comportamento ilícito dos agentes que praticam crime e agrava o estado emocional das vítimas.
Trate-mos, sumariamente, do primeiro caso: antes de mais, em Portugal, existe o princípio da oficialidade, em que a investigação de crimes pertence ao Estado: ao Ministério Público coadjuvado pelos órgãos ou forças e serviços de segurança pública (PSP, GNR e PJ). Ponto final parágrafo. Não é o professor, não é o superior hierárquico escolar, o diretor, não é o advogado, não são os pais que têm o dever de organizar inquéritos criminais ou investigar. Mas, nem sempre há crime, pode haver factos ilícitos, praticados por menores… de 12, 14 ou 16. Depois dos 16 anos de idade já são «maiores».
Neste caso, “ofensas à integridade física”, “ameaças”, “coacção”, exemplo bullying, “difamação e injúria”, “devassa da vida privada”, exemplo cyberbullyng, “gravação e fotografias ilícitas”, por exemplo happy slapping e “crimes contra a propriedade”, são meros exemplos de ilícitos que devem ser investigados, apuradas responsabilidades, punidos os autores e «indemnizar ou compensar moralmente» dar sentimento de justiça às vítimas/ofendidos/lesados.
Voltemos aos crimes dos titulares de cargos políticos, funcionários públicos ou agentes que trabalhem para o Estado na vertente privada do estado. Para os primeiros, Lei n.º 34/87, de 16 de Julho, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 108/2001, de 28 de Novembro, Lei n.º 30/2008, de 10 de Julho, Lei n.º 41/2010, de 3 de Setembro e Lei n.º 4/2011, de 16 de Fevereiro, determina os crimes da responsabilidade que titulares de cargos políticos ou de altos cargos públicos cometam no exercício das suas funções, bem como as sanções que lhes são aplicáveis e os respectivos efeitos e para os segundos as normas do código penal.
Neste segundo caso, “atentado contra a constituição da república”, “atentado contra o Estado de direito”, “coacção contra órgãos constitucionais”, “prevaricação”, “denegação de justiça”, são meros exemplos.
Perante este aperitivo de ideias, lembramos apenas que, os chavões, que «a polícia não faz nada», «a polícia não tem força», «a polícia não quer saber», «os policias só sabem multar», «os polícias…», este tipo de comentário são falaciosos e mal-intencionados. A Polícia (letra maiúscula) só faz aquilo que Moralmente deve fazer, Eticamente permite aos funcionários e Legalmente as leis deixam fazer… Se os funcionários mais não fazem às vezes não é por vontade… também porque não há queixas (oficialmente não se sabe nada), por isso não se pode acionar os mecanismos ou instrumentos legais.
Qualquer cidadão, criança, funcionário do estado ou privado, que tenha conhecimento de crime, deve denuncia-lo a quem de direito: polícias e ministério público. Depois, bem depois, acionam-se uma série de instrumentos que criam estatísticas que só beneficia os cidadãos de bem e as vitimas e por vezes a justiça, a verdade, a razão funciona.   
De salientar que a sociedade portuguesa só se gere por estatísticas… e Lamego tem perdido por causa das estatísticas.


sábado, 30 de março de 2013

mensagem páscoa

Família, amigos, associados, colegas e «irmãos».
Esta mensagem, nesta época de Páscoa, pretendia fazê-la na página do facebook da aspplamego, mas atendendo que a página foi bloqueada, algo superior determina-me a ter que passar esta mensagem.
Anualmente, participo na procissão do Senhor morto, em Lamego. Esta missão de serviço em representação da PSP foi encarado por mim, voluntariamente, há cerca de 11 anos atrás, em 2002, como que um acto de fé que teria de cumprir durante o tempo que por aqui residir e trabalhar. Não por mim, nem por protagonismo, nem por imposição hierárquica, mas por «todos». Deus Sabe porquê e para quê...
Este ano, mais uma vez, estava eu ali, sem exigências, sem perspectivas, com humildade, mas a pensar na chuva, porque isto de molhar-me e apanhar frio, não me faz nada bem e agrava as doenças crónicas de que padeço, adiante, assim, quando chegamos à Igreja das Chagas, começou a chover. Na brincadeira, porque Deus sabe porquê e para quê e por quem ali estou, disse aos colegas: « vou pedir aquele tipo que está lá em cima para parar de chover, senão para o ano tenho de renegociar a promessa que fiz e não venho...».
Independente disto, vi-me na Igreja da Graça, porque era ali que estavam os andores e fiquei a saber que neste ano iríamos acompanhar o andor de N.ª Sr.ª das Dores. Nem a propósito, meditei envolvido nos meus pensamentos. Este ano o meu acto de fé vai ser mais exigente: vou tomar banho e ficar doente. Fixe. Mentalmente, ali estive durante uns minutos a apreciar a simbologia da imagem, a pensar nas dores... que iria sentir, sinto, neste preciso momento. Assim que saímos da igreja da Graça, a chuva parou. A Procissão decorreu e cumpriu-se o meu anual acto de fé. Não me molhei porque a chuva parou, mas apanhei frio...
Antes disso e, principalmente, é esse o momento que pretendo transmitir, quando estava sentado no banco da Sé, a escutar o que dizia o Sr. Bispo, foi a primeira vez que ali estive a escutar um representante da igreja, geralmente estou ali de corpo presente, aliás, arrisco dizer que 90% das pessoas que ali está faz o mesmo, adiante, houve uma interpretação da passagem do evangelho de S. João que ficou cravada, no meu pensamento. Dormi a pensar nela e aqui estou a escrever:" (...) os quatro soldados dividiram as coisas de Jesus (...) as quatro mulheres agarraram-se a Jesus.".
Pensei, penso nos homens e mulheres, militares, membros das forças e serviços de segurança, nos bombeiros, nos serviços e corporações cujos indivíduos um dia juraram: «Morrer se preciso for...».
Jesus morreu porque estava predestinado que assim tinha de ser.
E nós, profissionais, morremos um bocado todos os dias, todas as semanas, todos os meses e anos, porque? Por causa de quem?!... Quem são os nossos Pilatos?
Depois de morrermos em serviço alguém virá dividir aquilo que nos pertenceu, mas temos de acreditar que aquilo que fomos, quem fomos, aquilo que fizemos ninguém vai dividir!... Porque não é divisível. Não é corpóreo, nem matéria. Foram acções.
Por isso enquanto estamos vivos podemos sempre todos os dias partilhar o lado Bom que todos temos...
Boa Páscoa para todos.

José Santos
Dirigente Nacional da ASPP/PSP (Associação Sindical dos Profissionais da PSP) 


sábado, 16 de março de 2013

instalações a sofrer remodelação, ser for verdade...


O actual edifício onde funcionam as 4 esquadras da Divisão da PSP de Lamego que, presumidamente, irá sofrer obras de beneficiação estrutural e estética, com vista a sua funcionalidade e reparação de anomalias «graves», que «podem» colocar em causa as condições de higiene e segurança no trabalho, e que não possui as estruturas de acesso, de acordo com as normais legais, em vigor.
De referir, a título de exemplo, que este edifício não possui ligação de gás à rede pública, por isso são constantes os banhos frios, não possui rampas de acesso a pessoas com mobilidade reduzida e quanto as condições de habitabilidade, funcionalidade (...)
Este sindicato, entende que este é um edifício que foi reconstrutivo, na década de 90, do século passado (...), na nossa opinião, para «desenrascar», mas objectivamente, nunca se pensou em oferecer condições exemplares ou «normais», quer aos cidadãos (ofendidos, vitimas e testemunhas), espaços físicos acolhedores, com meios de conforto, confidencialidade e privacidade, quer aos profissionais  (ginásio, salas de formação técnica policial, reunião), a que diariamente o utiliza, ou para trabalhar ou para exercer qualquer dever ou direito.
Tudo seria diferente se fosse construída uma estrutura de raiz, pensada e planeada, não como o foi no passado, parece que vai ser no presente, mas sem pensar no futuro... e ali mesmo ao lado, há espaço disponível!...
Vai-se, pelos vistos, fazendo crer nas observações e informações, optar por «obras de beneficiação», num edifício que nunca vai deixar de ser um edifício velho... mas vendo bem, sempre é melhor que nada.
Mas, esta acção, só vem reforçar a ideia que caracteriza naquilo que ainda é a demonstração da imagem de «miséria» que há muito se dá pelas entidades politicas às forças e serviços de segurança..
Opções que se materializam em gastar uns trocos de vez em quando, mas sempre quando nada mais há para fazer...
Assim, a nível nacional, são instalações velhas, meios autos velhos, ideias velhas e qualquer dia, constituída por homens e mulheres velhos... mas só em alguns departamentos e serviços!