sábado, 15 de outubro de 2016

Numa recente e inopinada reunião – pisar o tapete – um superior hierárquico caracterizou-me de inteligente! Teve o cuidado de referir que eu não era “esperto”, mas era muito, muito “inteligente”… nunca saberei se foi um elogio ou uma verdadeira valorização do meu Valor profissional ou uma ironia, um eufemismo para não me descrever intelectualmente com outro adjetivo ou substantivo ou nome comum. Adiante… Após uma noite normal, como é normal, apesar de estar de folga, acordei e levantei-me com vontade de ir trabalhar, de forma voluntária. Contudo, por ironia do destino recordei-me do episódio que serviu de introdução a este texto e de dois acontecimentos nos meus tempos de aluno na escola secundária de Moimenta da Beira. Enquanto estudante, andam por aqui muitos meus amigos de aulas que estão autorizados a desmentirem-me, as minhas disciplinas preferidas sempre foram, por ordem, Desenho, Biologia e Matemática. Contudo, por força da incompetência de muitos professores e obstinação obcecada da minha oposição quando não gosto… a partir de certo momento deixei de gostar de estudar. Não sei porquê. Simplesmente… ou porque o resultado final das notas não correspondia às espectativas, por causa das hormonas, por causa de fatores emocionais ou psicológicos, desinteresse… não sei. Uma coisa sabia, não gostava de copiar. Não copiava… Para não divagar, relato dois episódios: na realização de um teste, também não tinha estudado para a disciplina, na sala, vi que toda a gente usava copianço, abriam o livro… folhas saiam das secretárias… o professor sentado, lia o jornal aparente, alheio… eu… simplesmente assinei o nome no enunciado, levantei-me e entreguei o teste sem responder a nada… levei zero! Os outros, apesar de… as notas rondaram em média, os 11, 12 valores. O outro episódio, nunca me esqueço, 3º período, penúltimo teste, disciplina de Biologia, 10 ano. Na noite anterior, não sei porquê, lembrei-me de estudar. O teste foi fácil, fiz tudo, sai antes de todos… cá fora todos reclamavam da dificuldade do teste. Vieram as notas. Salvo erro tive mais de 16 valores… e os “inteligentes” da turma, tiveram notas muito baixas, inclusive negativas. A entrega do meu teste ficou para o fim. A professora acusou-me de ter copiado. Fui ao quadro e, no quadro, respondi sem qualquer problema à correção do teste. Apesar de, a professora, decidiu “anular” o teste… no final do ano levei 10 valores, supostamente, porque «… o Jesus andou a brincar o resto do ano». Hoje, apesar da vontade de ir trabalhar, decidi não ir porque perdi a vontade… após ler mais um Despacho, interno da PSP, que me foi enviado pelo meu sindicato sobre compensação dos créditos horários além do trabalho normal e porque regressei aos tempos de escola… Mudam-se os actores, mudam-se os tempos, mas as injustiças, continuam a ser praticadas impunemente e de forma a desfazer a Moral, a Vontade a qualquer pessoa que se sente. E, sendo a PSP um espelho da sociedade, revejo nas medidas do Governo e dos partidos que o apoiam, uma vítima de mais injustiças. É só injustiças… A sociedade, os decisores, o “poder”, “lixa” quem é honesto, íntegro e vertical e quem “aldraba”, quem “se balda”, o “chico esperto”, enquanto o nosso sistema permitir é sempre recompensado, mais que não seja, com uma descriminação positiva. Pois… sendo “inteligente”, “esperto” ou o que quiserem chamar-me, hoje, porque estou de folga, vou ficar em casa, viver o dia a dia com a família, viver para mim… e os verdadeiros “inteligentes” que sejam “espertos”. Para que não restem dúvidas… hoje, tal como sempre numa aprendizagem permanente adotei desde criança o lema: SABER SER, SABER ESTAR e SABER. Ah… e para que não restem dúvidas serei um eventual futuro sr. dr. quando decidir terminar o ensino superior e continuarei a não usar copianços ou subir às custas do trabalho, estudo de outros! José J. Santos - dirigente ASPP/PSP