quarta-feira, 11 de outubro de 2017

... manifestação da coordenadora dia 12 de outubro de 2017


Ontem, um colega perguntava-me insistentemente porque não vou a Lisboa no dia 12 de outubro de 2017. Respondi-lhe que não irei por motivos de saúde. O que é meia verdade...

E, por ter adormecido a pensar nisso, só para quem me guarda algum respeito enquanto profissional e sindicalista, dizem que pela integridade que tenho defendido, e defenderei sempre, quer a minha PSP e o a minha ASPP, tenho a dizer-vos publicamente que devereis ir, fazei por ir, mas infelizmente, não eu não POSSO nem DEVO ir. É um PODER por razões de saúde e um Dever por questão de "palavra dada", o que iria contra todos os meus princípios, contra a minha consciência.

A manifestação, esta e as últimas, tem sido dirigidas às entidades erradas! Tem sido feitas fora de oportunidade e pior ainda, só tem mais beneficiado, os que ficam na "zona de conforto" - os senhores oficiais e chefes e dirigentes não policiais. Como sempre, a categoria dos agentes, a mão de obra da PSP, recebe migalhas. E, quando falo em migalhas, não falo em "dinheiro". Falo no Estatuto e no papel que tem dentro da PSP.

Quando observo oficiais da escola superior a convocar reuniões, somente para oficiais e chefes, a liberdade com que se movimentam e a exigência da diferença de subordinação, perguntei-me sobre o que raio andamos (ASPP/PSP) a fazer ao longo destes anos?

Pior ainda, com o meu passado profissional e sindical, é ser ultrapassado pela "esquerda", prejudicado na avaliação de serviço e passando a minha avaliação por várias entidades, nenhuma contrariou a avaliação do primeiro avaliador. Ou seja, a PSP que defendo, os profissionais que defendo, não me defendem, não me protegem, não sabem ser Justos.

Acresce dizer que, para mim, a actividade sindical sempre foi para mim o meu grito de independencia e liberdade e como diz a jornalista Ana Leal "temos cá um feitiozinho", não será agora com 25 anos de policia e 49 de idade que vou mudar.

Interrogar-se-ão, mas o que este idiota quer dizer com este palavreado todo? Colegas, quem quiser ir vai, quer não quiser ir, não vai! Ponto final.

Eu auto-determinei em não ir... por razões pessoais, somente.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

é da minha vida que falo - outubro de 2017

No dia 30 de outubro faço 49 anos.
Em 1991 quando me decidi concorrer à PSP e GNR tinha no pensamento uma ideia, uma perspectiva. Iria fazer as provas, se entrasse entrava, se não entrasse não entrava. Sem stress...
Feitas as provas, entrei para a PSP. No dia 02 de fevereiro de 1992, entrei na EPP de Torres Novas e logo à entrada onde estava um futuro colega, disse-lhe que sabia nadar e tinha carta de motociclos. Fui enviado para Santarém. 
Em Santarém, devido às formaturas, continências e honras logo adivinhei que me tinha enganado na profissão. Nunca gostei de militarismo, de supremacia, nem de prestar vassalagem a ser humanos iguais. Para não cansar, vou resumir...
Nessa época a PSP, o Estado garantiu-me, para toda a vida, tenho isso escrito na brochura que me entregaram, uma percentagem de 25% no tempo de serviço para efeitos de aposentação, assistência médica gratuita para mim e familiares, outras prestações sociais, um conjunto de Direitos, designadamente, promoções, progressões. Já em 1997, 98 um senhor chamado António Costa apesar de quase passar despercebido, fez algumas «asneiras», mas chegados a 2005, um senhor de nome Zé Sócrates, então esse quase acabou com tudo o que tínhamos
de bom. Depois, bem depois veio o Passos e o Paulinho para acabar com o resto.
Estamos em 2017, 25 anos depois, tenho a certeza que fui «burlado» pelo Estado, mas como ainda o crime está em curso, nada posso fazer. 
Pelas regras que me prometeram e criei expectativas, em fevereiro de 2020, faço 36 anos de serviço (com percentagem dos 25%) pelo que assiste-me o direito a requerer a passagem à pré-aposentação, apesar do Zé ter mudado um (ou por um e). Nada disto é um prémio que o Estado me dá. É uma questão de Honra e gratidão pela disponibilidade permanente, pelo não pagamento do trabalho aos fins de semana, aos feriados, por não ter escala rotativa, por não ter higiene e segurança no trabalho, pelo ónus do risco, por tudo o que aos funcionários privados e públicos era remunerado, aos policias era gratuito. Ou seja, o Estado não pagava, mas compensava. Só que não pretende compensar... e isso vai irritar-me. Vou-me zangar.
Como já disse, o Zé Sócrates (desculpe mas as suspeitas sob os milhões fizeram-me perder-lhe o respeito) começou o que outro acabou.
No dia a dia sinto-me exausto (palavras de médicos especialistas) para a actividade policial, mas interrogo-me se esta exaustão não tem nomes, rostos e culpados? Claro que tem... e não sou eu.
E, esse dia de fazer julgamento está ao virar da esquina, e, acreditem, vou exigir o que me é de direito por mérito próprio adquirido em 1992.
Mas o mais grave é se o Governo aprovar o limite da sobrevivência nos 900 € mensais, caros amigos, então, enquanto policia, com os tais 25 anos, só aufiro mais 300 euros desse limite!
E, sou polícia... há 25 anos.