Naquele dia, como sempre, de calções curtos, t-shirt, mochila preta às costas, ténis azuis, entrei no banco e dirigi-me ao balcão com um conjunto de olhos fixados no meus perfil.Ah, de boné... vermelho!
Na caixa apresentei-me com a minha caderneta e com olhares discretos mas desconfiados fui encaminhado para um colaborador do banco, uma cara completamente desconhecida.
Na frente dele, o homem, sentado a teclar as teclas do computador, nem respondeu ao meu "boa tarde" e enquanto me olhava de soslaio e virava o visual daquele quarentão quase cinquentão com vestuário à jovem barbudo, meio desconfiado, ora olhava para os papeis, ora para o ecrã do monitor do computador, ora para mim. Ao fim de uns segundos, sentei-me! Fiz-me de convidado. E, pronto ali estivemos os dois, certamente um a dois minutos, em silêncio até que o homem provou afinal que falava... português! «Então o que deseja». «Boa tarde!», repeti. Rapidamente, não sou burro..., apercebi que o meu "look" tinha induzido no pensamento do trabalhador, um juízo diferente, e, então, não tivesse tido aulas de expressão dramática e teatro há muitos anos atrás, entrei no "filme de coitadinho". Assim lá disse ao sr. que tinha ali naquele banco uns trocos e gostaria de saber quando terminava o vencimento da conta, mas antes de explicar mais, face ao desinteresse e esforço do homem em me querer atender, enquanto isso desfazia-se em sorrisos para um cliente dos tribunais conhecido sobre "existência de bens", quem não sabe, são aqueles senhores, podemos ser qualquer um de nós, que é alvo de penhoras, solicitadores, dividias, etc...
Bem entreguei a caderneta ao homem e recostei-me para trás na cadeira tipo à patrão, com a pala da boina virada para trás. Se aquilo era para ser assim, então continuasse a comédia.
O homem a custo, pega na caderneta, digita uns números e... os olhos ficam abertos, suspende a respiração, um rumor vermelho assalta as faces, endireita-se na cadeira, o discurso de arrogante, irónico passa para o harmonioso, lambe botas, e delicado disse " ah! não sabia que era cá nosso cliente... enquanto virava a conta". Entretanto, entra a "gestora de conta" que de sorriso da face a face me faz a vénia de cumprimentar com um aperto de mão, e, lá sussurra algo ao ouvido do homem.
O homem, desfaz-se em mil pedidos de desculpa, não o humilhei nem reagi, indiferente, ouvi aquilo que tinha para ouvir, levantei-me, ele esticou-me a mão para cumprimentar e dei-lhe a minha, saí e continuei. Na semana passada, levantei o dinheiro todo e está noutro banco.
Levo este texto a vocês que o quiserem ler apenas com uma finalidade, porque quem me conhece, sabe o meu método de trabalho, quem me viu crescer sabe como sou e sei estar, por isso sabe quem é o JESUS ou o sr. SANTOS, independentemente de como se veste.
Para esses continuem porque serão sempre merecedores dos meus esforços e respeito, para os outros, cuidado, as aparências iludem! E, saem bastante caras.
Este espaço não é, nem serve para atacar alguém, mas sim um espaço informativo e formativo da ASPP.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
histórias da minha vida - outubro 2018
«Estava na fase da adolescência, com hormonas sexuais aos saltos, a erecção surgia quando imaginava o que estava por debaixo da roupa, aqueles montes de carne, aquela parte do corpo que todos adoram "mamar" na mãe, mas na época com vontade de fazer outras coisas em outros peitos... quando, num exercício militar, ali para os lados de Benavente, uns indivíduos, superiores, entenderam ir buscar uma prostituta de estrada, trouxeram-na, para perto do acampamento, e, em fila indiana, um a um, os recrutas iam visitando e entrando numa tenda improvisada... depois saiam, com o Dever cumprido. Toda a noite...
Perante o cenário, no seu típico cavalheirismo e educação familiar de respeitar a mulher, não por ser mulher, mas tudo aquilo que a mulher é, geradora de vida, protecção, carinho e prazer, entendeu que aquilo era uma vergonha e fez questão de revoltado, dizer a quem de direito que « aquela merda não era nada! aqueles superiores que autorizaram aquela merda eram uns cobardolas».
Não evitou que um 2 sargento, boina vermelha, preparado para matar, violar e tudo o mais (assim se denominavam uns heróis comando), principalmente aquele energúmeno, de duas patas e com "merda nos miolos", enfim um porco, levanta a gripa a dizer que "fazia isto e aquilo". Contudo, foi logo afastado quando um sr. cabo, conhecendo o lado negro do soldado... é que na cabeça dele já estava em fase de execução um pontapé em salto rotativo aos cornos daquele «porco», que sem saber como ficaria com as trombas tão partidas que a mãe no hospital ia ter dificuldade em o reconhecer...
Adiante! Esse cabo, arrastou o soldado para fora daquele cenário... e sendo amigo do soldado este respeitou-o!
O soldado deitou-se na cabine da Berliet, colocou os auriculares nos ouvidos e revoltado não pregou olho a noite toda.
No dia seguinte contou ao capitão que disseram ter sido o primeiro a «molhar o pincel».
Não compreendeu a «frustração» do soldado e reiterou que não iria fazer nada. E, não fez. Mas, subtilmente, deixou no ar um eventual «acidente»... arrependeu-se de abrir a boca!
Uns dias depois, no patrulhamento a incêndios, naquela zona, o soldado reencontrou a «menina» e o «chulo» no seu lugar habitual naquela recta, na berma da estrada, perto daquele local onde o RALIS tinha feito a «semana de campo» aos recrutas.
Conversou com ela, disse-lhe que seria um orgulho namorar com ela, estava no inicio da vida, aquilo não tinha futuro... mas ela disse que havia ganhado dinheiro e que tinham sido os sargentos e o chulo que haviam planeado aquilo a todos os recrutas, pelotão a pelotão, aqueles que entraram na tenda, e, ai de quem se tivesse recusado e a violar o código de silencio, por mil escudos.
Estando um UMM junto da «menina» os clientes não paravam e o negócio não rendia... aproximou-se o chulo, a conduzir e sentado num carro. Logo que parou e roncou, saiu a voar pela janela (não era obrigatório o cinto de segurança) e foi cumprimentado com caricias na cara, no tronco, nas pernas. Por fim, avisado que se lá voltasse e o soldado o visse por lá, o cumprimento seria mais "emotivo". Ah... e que desse cumprimentos aos seus "amigos ou sócios do ralis".
Passou à disponibilidade uns meses depois... passou muitas vezes naquela estrada, mas nunca mais viu o chulo, nem a "menina". »
Amigos, esta história (qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência) serve apenas para...
RESPEITO! TODA A MULHER MERECE RESPEITO NO CORPO E ALMA, MESMO QUANDO ELA PRÓPRIA NÃO SEJA CAPAZ DE SE RESPEITAR.
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
treze anos depois do suicidio do comissário
Naquele
dia encontrava-me na rua no serviço de brigada de serviço
permanente quando recebemos uma ordem directa,via rádio, para nos
deslocarmos à esquadra. Chegados à esquadra, alguém se nos dirige
e diz assim: «o rebenta suicidou-se. Está no quarto dele!».
Subimos
na direcção do compartimento quando ainda nas escadas somos
surpreendidos com uma voz feminina, a chorar, em desespero, com as
palavras soltas: « assassínios! Seus assassínios. Vocês
mataram-no».
Como se em transe, o sistema nervoso a subir de rotação, aquela ansiedade do que se ia ver, ao cimo estava o X, em pânico, não dizia palavra com palavra, no corredor o Y diz «está no quarto» e no acesso ao quarto, estava o W.
Na parte de fora da entrada do quarto, observo no interior um corpo no chão, imenso liquido à sua volta, um liquido tipo gel vermelho, alaranjado amarelado, uma arma Walter e a cabeça, parte da cabeça… desloquei o olhar para longe da cara e observei o interior, que não descrevo. Depois abandonei zona! «Outro»… dizia no meu intimo. Outro?! Já era o terceiro...
Contrariando ordens superiores, sugeri não estarem reunidas condições para a brigada na qual me incluía para fazer a inspeção e recolha das provas, além do mais o crime praticado com arma de fogo era da competência da PJ. Assim, adoptamos as medidas cautelares de policia de preservação do local do crime. Mas a área não estava limpa… pegadas de bombeiros, e outros.
A policia judiciária chegou e fez o seu trabalho.
No dia seguinte, o corpo do Comissário, desceu à TERRA.
Dirão,
porque isso hoje?
Bem… faz exactamente hoje anos que se suicidou. Matou-se no dia 13 de setembro de 2005, num quarto pequeno, ao fim de um corredor pequeno e escuro, nas instalações da policia de segurança publica de lamego.
Treze
anos depois, não é público o resultado criminal do inquérito.
Mas
pergunto: porque razão, a noite passada, a sonhar o “rebenta”
apareceu no meu sonho?!… Porque razão apareceu a pedir-me
«Justiça»!
Carregou o “Morto” toda a CULPA que motivou a “desonra” e a saída para o suicídio!
terça-feira, 17 de julho de 2018
é da minha vida que falo - julho 2018
Decido-me, hoje, a escrever uma letras.
Prometo que vou escrever pouco, tal como diz a minha mulher, escreves muito e isso cansa. Vamos lá.
É habitual ouvir nas televisões - Miguel Sousa Tavares é um deles -, a dizer que um policia, seja PSP, PJ, GNR, é um vulgar funcionário público portanto, não pode ter "excepções" positivas, na pré-aposentação e na aposentação.
Ora, vou desmontar estas inteligências, não com opiniões suportadas em preconceitos e ideias próprias como os comentadores e críticos fazem, mas com factos. Com experiência pessoal...
Ao entrar na psp, corria o ano de 1992, decidi abdicar de outros objectivos e centrar-me nas regras que o Estado, a PSP, me exigiu. Fiz provas físicas, provas escritas, médicas e testes psicotécnicos. Aprovado, fui admitido ao curso e formação e frequentei um curso em Torres Novas - Santarém, em regime interno, tipo militar, com faxina e aulas teóricas e práticas. Por isso comparar a minha formação para o quadro de policia e um vulgar quadro com um curso superior, onde podiam entrar coxos, cegos, surdos, altos e baixos, gordos e magros é mau exemplo e prova de ignorância e má fé. Resumindo, para ser "policia" abdiquei de um curso superior e optei então pela PSP, com regras estabelecidas num contrato como qualquer outro funcionário privado ou publico aceita quando toma a decisão de fazer um contrato com uma entidade patronal.
Durante estes 26 anos e meio, posso afirmar, aqui, e provar no futuro (guardo as agendas e bloco de apontamentos), que fiz turnos de 19 horas seguidas, ora em pé, ora sentado, sem fechar os olhos e tendo como alimentação umas barras de MARS, NUTS e outros... as necessidades básicas na esquina e de muitas das vezes de tão cansado estar, ter visto e reagido a coisas que não existiam. Alucinações...
E, de nada valia a pena reclamar para o subchefe... a seguir faziam pior... o que a lei determinava «disponibilidade permanente para o serviço», servia para tudo, para aquela gente que apanhei que se vingavam de forma "legal" nos que "tinham os olhos mais abertos".
Quando deitado numa cama, em dito período de folga ou repouso, acordava aos saltos, porque apesar de estar de folga, o telefone tocava... e lá tive de ir... trabalhar ou ao "tapete" para conversar - levar pissada-, do cmdt da divisão. Contudo, fo final do mês, no mapa de horários, para memória futura, fiz as horas legalmente previstas: no mímimo 150 horas, mensais. Nem 200, nem 300... as 150.
E, de nada valia a pena reclamar para o subchefe... a seguir faziam pior... o que a lei determinava «disponibilidade permanente para o serviço», servia para tudo, para aquela gente que apanhei que se vingavam de forma "legal" nos que "tinham os olhos mais abertos".
Quando deitado numa cama, em dito período de folga ou repouso, acordava aos saltos, porque apesar de estar de folga, o telefone tocava... e lá tive de ir... trabalhar ou ao "tapete" para conversar - levar pissada-, do cmdt da divisão. Contudo, fo final do mês, no mapa de horários, para memória futura, fiz as horas legalmente previstas: no mímimo 150 horas, mensais. Nem 200, nem 300... as 150.
Nessa data, 1992, tenho um livro, a PSP que ainda me diz que tenho, (tinha) direito a serviço de assistência gratuito, extensivo aos familiares, uma percentagem de 25% para efeitos de contagem de tempo, desconto nos transportes públicos, serviços sociais, etc., etc..
Trabalhei aos sábados, domingos, feriados, dia, noite, debaixo de sol, chuva, suei, passei frio, fome passei dias, Natal de 1994, cuja companhia foi um cão rafeiro, castanho... ali junto à embaixada de Espanha na Avenida da Liberdade em Lisboa, na rua! E este é apenas o primeiro exemplo da impessoalidade da hierarquia naquela altura... eles na esquadra a comer e beber e eu, ali, sozinho!
Sendo a PSP uma força de segurança, lidei com os meus problemas pessoais, em silencio mas tive sempre a abertura de dirimir problemas de colegas, dos cidadãos, e fui sempre buscar a educação, atitude e firmeza que as circunstancias de serviço o exigia. Muitas vezes, depois, pensei: «foda-se esta merda! vou deixar isto...»! Até tentei e fiz... mas havia um chamamento que à última dizia: NÃO. És a pessoa certa, no lugar certo. E cá permaneço.
Quando olho para trás, interrogo-me se mudava algo na minha vida profissional. Sim. Mudava... hoje, tinha "partido a cara" àqueles vários oficiais, subchefes que me tentaram (repito tentaram) humilhar na divisão de segurança em plena formatura... enquanto "sindicalista", não nunca como profissional, aí nunca apanhei alguém para me ensinar o quer que seja. Não, não é arrogância, é um facto. Deram-me orientações, ordens, mas só fiz o que EU tinha ou quis fazer... e sempre tive a coragem e a firmeza de tomar a iniciativa de mudar... mudar... não ficar estático... dinâmica.
Nunca fiz Greve... o Estado, a PSP nunca me pagou horas nocturnas, em feriados ou trabalho complementar (nunca fiz remunerados mais de 6 meses em 26 anos), as horas feitas além do turno normal nunca foram contabilizadas nem acrescentadas a tempo de bancos de horas, excepto quando elaborava um pequeno documento a pedir autorização - atenção fazia horas e tinha de pedir autorização - para averbar horas... que muitas vez foram negadas por inconveniente de serviço. Durante um 1 ano fiz apenas turnos nocturnos... ao preço dos diurnos. Tive doenças, paguei em hospitais privados... resultantes do trabalho. Trabalho como funcionário da PSP ao serviço do Estado.
Não! Não vou admitir a ninguém que me compare a um vulgar funcionário público que não trabalhou com as condições de trabalho que eu, eu que nunca para comigo tiveram respeito por direitos que "eles" tiveram, e tem, eu sem poder usufruir desses direitos e liberdades, que nunca tive acesso por força desse contrato feito em 1992. Não, não vou admitir e tudo farei o que for necessário para lutar, se necessário for usar a "acção directa" ou o "direito de resistência", previstos no código civil e constituição. Já passou o tempo, não irei lamentar que políticos, que egoístas, me comparem, hoje, esquecendo o meu esforço no passado. A minha profissão exigiu de mim e cumpri. Para a frente está na hora de exigir da PSP o respeito, consideração e reconhecimento pelo meu esforço em pró de todos nós.
Por isso, preparem-se senhores titulares de cargos políticos e superiores hierárquicos (os tais de pensamento superior) porque eu nunca fui trabalhador do MAI, nem das Finanças.
E fui e sou psp, funcionário da PSP.
Por isso, eu não estarei agarrado ao lugar e não vou lamentar ou mendigar um direito. Eu, estou pronto para LUTAR! Aliás... sempre estive pelos meus direitos.
Não! Não vou admitir a ninguém que me compare a um vulgar funcionário público que não trabalhou com as condições de trabalho que eu, eu que nunca para comigo tiveram respeito por direitos que "eles" tiveram, e tem, eu sem poder usufruir desses direitos e liberdades, que nunca tive acesso por força desse contrato feito em 1992. Não, não vou admitir e tudo farei o que for necessário para lutar, se necessário for usar a "acção directa" ou o "direito de resistência", previstos no código civil e constituição. Já passou o tempo, não irei lamentar que políticos, que egoístas, me comparem, hoje, esquecendo o meu esforço no passado. A minha profissão exigiu de mim e cumpri. Para a frente está na hora de exigir da PSP o respeito, consideração e reconhecimento pelo meu esforço em pró de todos nós.
Por isso, preparem-se senhores titulares de cargos políticos e superiores hierárquicos (os tais de pensamento superior) porque eu nunca fui trabalhador do MAI, nem das Finanças.
E fui e sou psp, funcionário da PSP.
Por isso, eu não estarei agarrado ao lugar e não vou lamentar ou mendigar um direito. Eu, estou pronto para LUTAR! Aliás... sempre estive pelos meus direitos.
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