sábado, 30 de março de 2013

mensagem páscoa

Família, amigos, associados, colegas e «irmãos».
Esta mensagem, nesta época de Páscoa, pretendia fazê-la na página do facebook da aspplamego, mas atendendo que a página foi bloqueada, algo superior determina-me a ter que passar esta mensagem.
Anualmente, participo na procissão do Senhor morto, em Lamego. Esta missão de serviço em representação da PSP foi encarado por mim, voluntariamente, há cerca de 11 anos atrás, em 2002, como que um acto de fé que teria de cumprir durante o tempo que por aqui residir e trabalhar. Não por mim, nem por protagonismo, nem por imposição hierárquica, mas por «todos». Deus Sabe porquê e para quê...
Este ano, mais uma vez, estava eu ali, sem exigências, sem perspectivas, com humildade, mas a pensar na chuva, porque isto de molhar-me e apanhar frio, não me faz nada bem e agrava as doenças crónicas de que padeço, adiante, assim, quando chegamos à Igreja das Chagas, começou a chover. Na brincadeira, porque Deus sabe porquê e para quê e por quem ali estou, disse aos colegas: « vou pedir aquele tipo que está lá em cima para parar de chover, senão para o ano tenho de renegociar a promessa que fiz e não venho...».
Independente disto, vi-me na Igreja da Graça, porque era ali que estavam os andores e fiquei a saber que neste ano iríamos acompanhar o andor de N.ª Sr.ª das Dores. Nem a propósito, meditei envolvido nos meus pensamentos. Este ano o meu acto de fé vai ser mais exigente: vou tomar banho e ficar doente. Fixe. Mentalmente, ali estive durante uns minutos a apreciar a simbologia da imagem, a pensar nas dores... que iria sentir, sinto, neste preciso momento. Assim que saímos da igreja da Graça, a chuva parou. A Procissão decorreu e cumpriu-se o meu anual acto de fé. Não me molhei porque a chuva parou, mas apanhei frio...
Antes disso e, principalmente, é esse o momento que pretendo transmitir, quando estava sentado no banco da Sé, a escutar o que dizia o Sr. Bispo, foi a primeira vez que ali estive a escutar um representante da igreja, geralmente estou ali de corpo presente, aliás, arrisco dizer que 90% das pessoas que ali está faz o mesmo, adiante, houve uma interpretação da passagem do evangelho de S. João que ficou cravada, no meu pensamento. Dormi a pensar nela e aqui estou a escrever:" (...) os quatro soldados dividiram as coisas de Jesus (...) as quatro mulheres agarraram-se a Jesus.".
Pensei, penso nos homens e mulheres, militares, membros das forças e serviços de segurança, nos bombeiros, nos serviços e corporações cujos indivíduos um dia juraram: «Morrer se preciso for...».
Jesus morreu porque estava predestinado que assim tinha de ser.
E nós, profissionais, morremos um bocado todos os dias, todas as semanas, todos os meses e anos, porque? Por causa de quem?!... Quem são os nossos Pilatos?
Depois de morrermos em serviço alguém virá dividir aquilo que nos pertenceu, mas temos de acreditar que aquilo que fomos, quem fomos, aquilo que fizemos ninguém vai dividir!... Porque não é divisível. Não é corpóreo, nem matéria. Foram acções.
Por isso enquanto estamos vivos podemos sempre todos os dias partilhar o lado Bom que todos temos...
Boa Páscoa para todos.

José Santos
Dirigente Nacional da ASPP/PSP (Associação Sindical dos Profissionais da PSP) 


Sem comentários: