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terça-feira, 30 de agosto de 2016
tolerância portuguesa até certo ponto
Criticam-me que por vezes escrevo os meus textos e que estes são confusos. Ora, hoje tentar ser objectivo… linguagem familiar e leiam até ao fim.
Este domingo fui à praia. Fui de carro. Paguei portagens. Estacionei o carro num arruamento na praia da Barra – Aveiro.
Peguei na troxa, guarda-sol, para-ventos, enquanto a dona e a herdeira levaram o “mata-bicho”. Na praia queria ir para a direita, a dona escolheu um lugar logo à saída do passadiço. Assentamos a barraca. Coloquei os para-ventos, o guarda sol. Troco as cuecas ou os "trusses", "boxers" pelos calções de banho. Estendo a toalha e zás, deitado. Pego no jornal e começo a desfolhar passando logo à frente as primeiras páginas porque era só futebol, futebol… adiante.
Ao desfolhar o jornal deparo-me com uma noticia sobre o “burquini” e as proibições e não proibições lá para França. Levanto-me e começo a olhar à minha volta. É uma diversidade de cores, guarda sóis de diversas cores, corta-ventos de várias cores… e mulheres e homens vestidos de roupa de praia ou roupa normal. Num desses lados, uma família cá do norte. O homem com chapéu daqueles que usa nos ranchos folclóricos, com feltro, sapatinho preto, meias e ceroulas! Áh Homem. «o que mata o frio mata o calor». Camisa de flanela… A mulher, vestia negro, não se lhe viu-a uma ponta de pele, excepto as mãos e cara.
Mais ao lado, mulheres de fatos de banho, de biquini, vestidas com estas novas roupas modernas, roupa leve, umas mais vestidas outras menos vestidas, descalças, calçadas, uns a correr, outros a jogar futebol e ténis. Enfim… aquilo que todos vós observais quando ides à praia. Dei graças… não vi ninguém a reclamar das roupas, não vi ninguém a reclamar calçado, cada um à sua maneira lá estavam ocupados uns com os outros, ou sozinhos.
Voltei a dar graças à sorte que tenho em viver em Portugal. A sorte ea viver num País de ladrões, refiro-me aos políticos que nos desgovernam desde 1974, aos maus políticos, e de viver com este Povo, diverso, tolerante até certo ponto, mas alheio. Não digo que os velhotes, criticassem aquela morena boazona que passou a abanar-se toda, com quase tudo à mostra menos os bicos do peito e a “passarinha”, nem as velhotas aqueles machões com músculos à base de proteína e aminoácidos, cheios de tatuagens e piercings. No fundo o conservadorismo reina dentro de nós. Custa é deitar cá para fora.
Voltei a dar graças a tolerância. E, principalmente, agradeço a sorte da vista da paisagem ter sido agradável por mesmo à nossa frente, estar deitada numa toalha, uma jovem, com cuecas do biquíni e… maminhas à mostra!...
Dei graças por não ter aparecido nenhum polícia marítimo, nem um religioso, nem padre ou fundamentalista ou freira dos costumes, bater na jovem, ordenar que se vestisse ou coisa pior.
Gosto de ser Português em Portugal.
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