Sobre a tal insubordinação dos marinheiros:
«Quando respondi ao convite de ser estafeta na Divisão da CP/Metro (estafeta era ser uma especie de carteiro em cima de uma moto), estava longe de ver que as condições oferecidas eram uma "fraude".
Trabalhei um dia, dois e reclamei das condições, do horário e das condições de segurança. Resposta, é policia, cumpre ordens e ponto final. Nesse dia, sai revoltado, a fumegar, nem dormi.
No dia seguinte, entrei pelo gabinete do comandante, lembram-se do Sr. CMDT Muacho, eu lembro e por coisas más, sem delongas, com respeito e atitude, impus as minhas condições para continuar a fazer aquele serviço, caso contrário, entrava de baixa por tempo indeterminado.
O segundo comandante, também sem demonstrar qualquer sensibilidade e puxar a tal questão "é policia e cumpre senão leva processo disciplinar", sentiu o sopro do meu nariz, e, só lhe disse isto: « a partir de amanhã, arranje outro».
Uns minutos depois, tinha ordens para me apresentar na esquadra de origem, Massamá.
Lá eles tiveram que encontrar outro "burro".
Curiosamente, o novo "burro" tornou-se um "cavalo de gala".
Além de uma nova moto, equipamento de segurança, fato e botas, um horário diferente e condições que eu não tive, nem me foram dadas.
Moral da História: deram ao novo agente exatamente as condições que eu exigi para mim.
E, disse-me o colega, que nem pediu nada.
A ser verdade que o navio tinha problemas, estes militares são dignos de ser Louvados pelo Presidente da República porque representam não uns paus mandados (dão uso aos neurónios e não cumprem cegamente todas as ordens de mandantes) mas cumprem a Constituição, defendem o Valor que a Pátria merece.»

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