sábado, 28 de dezembro de 2019

é da minha vida que falo - dezembro de 2019


Ontem, tomei umas das mais difíceis decisões que andava a adiar desde há uns tempos: disse basta e determinei-me a deixar a vida activa da actividade sindical - ASPP/PSP e de me envolver em fantasias e deixar de ser peão num jogo de protagonismo estranho, absurdo e surreal.
Recordo, aquele dia do mês de fevereiro de 1993, quando pela primeira vez, naquela sala entrei, uma sala existente num edifico, numa rua de Alcântara, em Lisboa, onde por lá encontrei o subchefe Carreira e o sr. Torres, na altura pensava que também era policia, mas só mais tarde descobri que não...
Passei a visitar aquelas instalações amiudamente e conversava com quem por lá encontrava, dava ideias idiotas, pregava, inclusive para umas personagens que não vou identificar para não criar "erros de interpretação da minha linguística" que entretanto deixaram a ASPP e foram criar outras associações e mais tarde sindicatos.
Naquele tempo, em conversa com alguns daqueles policias que por vezes davam voz e imagem na RTP, na SIC e TVI, eu, um guarda de 2 ª classe, provisório até junho de 1994, cedo logo me apercebi que, naquela ASPP havia por lá muita carolice, muita emoção, demasiada politica à esquerda, mas acima de tudo, muita convicção e pouca noção da verdade e realismo e que eu "estava muito avançado para a época". 

Para mim, já naquele tempo, bastava ler, interpretar a legislação especialmente aplicável à PSP, as leis gerais e fundamentalmente a Constituição da República, para chegar à conclusão, que havia condições para se criar poder criar sindicatos na PSP, mas, inexplicavelmente, parecia que havia policias que não tinham coragem, determinação, para fazer o que tinha de ser feito: criar uma associação sindical, com estatutos, pedir o seu registo no Ministério Público e agir como tal.
Não! Não era bem assim, diziam eles...
E, tiveram razão, levaram a deles avante, até que, através da Revisão Constitucional de 2001, PS, PSD e CDS, com votos contra do PCP, Verdes e Bloco de Esquerda, alteraram o famoso artigo 270º - abriram a porta à até então permitida greve, colocando no texto a proibição do direito à greve a policias e deixei de ter os argumentos que até então eu sabia ser as únicas ferramentas que nos davam esse direito: nós não éramos militares e o artigo 270 era omisso às forças de segurança.
Fiquei fulo!... 
Antes e após isto, senti que alguns policias tinham um tipo de prestar vassalagem e submissão, ao tal PS que aprovou a lei 14/2002 - Regula o exercício da liberdade sindical e os direitos de negociação colectiva e de participação do pessoal da Polícia de Segurança Pública (PSP), a qual, no seu artigo 3º, proíbe, de forma literal, um direito constitucional, individual do cidadão PSP, enquanto trabalhador, em clara violação a princípios constitucionais e leis internacionais. Enfim...
Desde então não foi, não é fácil compreender...
Os anos passaram, desde 1993, reuniões, viagens, manifestações, noites mal dormidas, perdi tempo com a dedicação honesta, voluntarioso e desinteressada, acreditando que, a minha força, a minha irreverencia e intelectualidade, baseada no realismo da força da verdade, conseguiria fazer a tal diferença que notava outros não tinham, quer no passado, quer no presente. 
Obviamente, internamente, desde 1993 que fui criando atrito com policias de mente superior, egocentrista ou narcisistas, bonitos das direcções da ASPP (para uma mente como a minha até aceito ser vencido com factos, mas escutar opinião, convicções) e eis então que, num grupo do WhatApps, me é afirmado " que não ando bem"... acham-me arrogante, convencido, lunático, louco, descompensado, intolerante?!...
Assim e por fim, a bem da minha sanidade mental, a tal ASPP que me sufocava, aquilo invisível que não me libertava, que não me dava a independência e coerência que preciso, por respeito e lealdade institucional e pessoal a quem me levou para a direcção da ASPP/PSP, deixou de fazer sentido e deixou de haver substancia para me deixar acorrentar.
Até novas eleições na ASPP/PSP não me demito do cargo para o qual fui eleito pela lista do Paulo Rodrigues, mas a minha participação activa e passiva, acabou.
Hoje, amanhã, o futuro, pertence-me, é meu, e se o é, é por direito próprio porque não devo nada a alguém. 

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